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  • Território(s) numa perspectiva latino-americana1
  • Rogério Haesbaert

Nuestra lógica, la lógica que permitió sobrevivir a tantos siglos de masacre en nuestro continente, no es una lógica monológica, monopólica, regida por la neurosis de coherencia y del control, la neurosis monoteísta y blanca de los europeos. Nuestra lógica es trágica, en el sentido de que puede convivir con la inconsistencia, con verdades incompatibles, con la ecuación a y no-a, opuestos y verdaderos ambos, y al mismo tiempo. Y por lo tanto, siempre, siempre, dotada de la intensidad vital de la desobediencia. Una lógica paraconsistente para conservar la vida y garantizarle continuidad y mayor bienestar para más gentes, para mantener el horizonte abierto de la historia sin destino pre-fijado, para mantener el [espacio y el] tiempo en movimiento.

(Segato, 2019, para. 2, grifo da autora)

para alÉm de uma monolÓgica eurocentrista, podemos falar de uma perspectiva latino-americana sobre o território, ou seja, existiria alguma unidade no pensamento e/ou nas práticas sociais que nos permitisse falar, genericamente, de uma abordagem latino-americana sobre o território?2 Em que medida o conceito de território e sua difusão nas últimas décadas—a ponto de alguns autores falarem de um "giro territorial"—pode ser contextualizado geo-historicamente e concebido a partir do prisma de uma geografia latino-americana?

Trata-se de questões difíceis de serem respondidas, mas pode-se, pelo menos, delinear um debate preliminar. De saída, precisamos de algum consenso no que diz respeito a que território e a que América Latina estamos nos referindo. Território, para além da mera designação ou do nome que utilizamos, remete a um conceito, ou melhor, mais amplamente, a uma categoria que, como tal, pode ser tratada a partir de três modalidades: categoria da prática, categoria normativa e categoria de análise.

Inseridas nesse espaço-tempo social latino-americano teríamos então três grandes leituras possíveis de território. A primeira, o território como categoria da prática, envolve a concepção de território no senso comum, tal como proposta no cotidiano da maioria dos grupos sociais, próxima daquilo que os antropólogos denominam categoria nativa.3 Uma segunda leitura, a do território como categoria normativa, é aquela que, mais do que buscar responder a "o que é" o território, desvenda "o que ele deve (ou deveria) ser". Essa perspectiva aparece, por exemplo, nas chamadas políticas territoriais do Estado. Finalmente, o território pode ser visto como categoria de análise, abordagem prioritária no âmbito acadêmico, em que território se [End Page 141] transforma num conceito teórica e metodologicamente elaborado através da reflexão intelectual.

A singularidade de um pensamento latino-americano sobre o território, como atestam nossas pesquisas, parece mais clara no que diz respeito ao território como categoria da prática do que como categoria normativa, onde o planejamento muitas vezes realiza cópias (com frequência mal feitas) de concepções europeias como aquelas ligadas ao "aménagement du territoire" (ordenamento territorial, em tradução simples). Analiticamente pode-se reconhecer traços específicos, dependendo, por exemplo, da força com que a investigação intelectual dialoga com o uso do território como termo cotidiano e também como ferramenta política pelos diversos grupos sociais, em especial os grupos subalternos4.

Também é interessante discutir, ainda que de maneira breve, a adequação de América Latina enquanto expressão de um conjunto espacial diferenciado/articulado—região, enfim—capaz de manifestar uma base geográfica referencial minimamente unitária para trabalhar nossa questão. Poderíamos começar pelo próprio debate sobre uma identidade latino-americana, mas se trata de um tema vasto e complexo. Fiquemos, então, com a dimensão mais estritamente geográfica dessa conformação identitária.

A própria designação América Latina está carregada de conotação colonial, pois referese a um espaço definido pelo tipo de colonização europeia, capitaneada...

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Additional Information

ISSN
1548-5811
Print ISSN
1545-2476
Pages
pp. 141-151
Launched on MUSE
2019-12-21
Open Access
No
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