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Reviewed by:
  • The Author as Plagiarist – The Case of Machado de Assis
  • Haroldo Ceravolo Sereza
Rocha, João Cezar de Castro (ed.). The Author as Plagiarist – The Case of Machado de Assis. Dartmouth, MA: Center for Portuguese Studies and Culture, University of Massachusetts Dartmouth, 2005. 672 pp.

The Author as Plagiarist – The Case of Machado de Assis, editado por João Cezar de Castro Rocha, é um livro de muitos autores sobre muitos autores. No centro dos mais de quarenta textos, está um suposto plagiário. Uso suposto propositadamente, querendo, com isto, colocar em dúvida o ponto de partida do trabalho. Não necessariamente para refutá-lo, mas simplesmente para provocar o leitor a chegar ao fim desta resenha.

Machado tornou-se, para os letrados brasileiros, a grande aposta no jogo político da República Mundial das Letras — com essas maiúsculas e tudo, tal como no livro de Pascale Casanova. Com ele, a intelectualidade brasileira sonha poder argumentar em favor da força da literatura nacional, já no século XIX, frente às literaturas francesa, inglesa, italiana e russa. Mas não só: o ingênuo leitor brasileiro, que não compreende bem o pesado confronto por trás dos livros e sonha encontrar-se refletido de alguma forma no Grande Cânone, tem de lidar não só com a onipresença de Shakespeare como com a dura realidade da forte concorrência latina que não se expressa em francês — como Dante [End Page 139] Alighieri, Miguel de Cervantes e, o que muitos vêem como suprema injustiça, Eça de Queirós. Sem contar o caso de Jorge Luis Borges, um argentino que chegou depois e pode ter furado a fila.

Assim, a edição de The Author as Plagiarist, com lançamento na Biblioteca do Congresso norte-americano em 2006, provocou uma reação bastante positiva da imprensa e da intelectualidade brasileiras, alcançando uma repercussão no país muito acima da comum para obras do gênero lançadas em inglês. Com freqüência, comentários e resenhas publicados no Brasil celebraram o "Machado universal", agora aparentemente reconhecido em inglês, num elogio que talvez pudesse ser traduzido por uma fala célebre de Pai Goriot: "Agora, nós".

O trabalho, que deve ser publicado em 2009 no Brasil, pela Editora Alameda, com o título O plágio como criação – o caso de Machado de Assis, não deve no entanto sucumbir diante do tom ufanista. Ele é muito mais sério e bem realizado do que isso. Parte de uma idéia forte, a de que o leitor Machado é a principal fonte de inspiração do escritor Machado. Tomando emprestada a análise de Roberto Schwarz, mas deslocando seu foco da rua para a biblioteca, como declarou numa entrevista, João Cezar de Castro Rocha viu, nas leituras que o escritor fez, "idéias fora do lugar", que Machado afinal usou para compor seus romances, contos e crônicas na fase madura de sua produção. Ou seja, Machado conseguiu assim, para Castro Rocha, alinhavar com grande estilo o que de mais precioso havia na literatura mundial e, com isso, deu um grande salto estético, especialmente a partir de Memórias Póstumas de Brás Cubas.

As leituras do leitor Machado são o tema central da primeira parte da reunião de artigos, que conta com seis textos e que ocupa cerca de um quarto do livro. Nesta parte, figuram associações de Machado com Flaubert, Cervantes, Balzac, Sterne, Eça de Queirós e Shakespeare, entre outros.

Earl Fitz, por exemplo, busca demonstrar como Machado "reinventou" modelos europeus, dando, assim, uma grande contribuição para uma futura forma do que conhecemos como romance moderno. Um pouco adiante, Gilberto Pinheiro Passos discute a difusão da obra de Balzac para apontar temáticas e formas convergentes entre os dois autores, enquanto Sérgio Paulo Rouanet publica um artigo que é, em essência, sua grande preocupação como crítico de Machado: os laços que unem a forma de Laurence Sterne, autor citado logo nas primeiras páginas de Memórias Póstumas, e...

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Additional Information

ISSN
1548-9957
Print ISSN
0024-7413
Pages
pp. 139-141
Launched on MUSE
2009-07-03
Open Access
No
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