Abstract

Neste artigo procuro dar uma visão global da obra do escritor angolano Pepetela, analisando o seu percurso desde o visionário utópico filiado ao movimento de libertação até à sua contemporânea voz crítica, desiludida. Para desenhar este percurso parto da leitura das suas obras mais recentes que analiso da seguinte forma: (i) através da expressão de uma nostalgia pela inocência perdida de sua juventude em Benguela, e (ii) através de uma desnacionalização progressiva do espaço narrativo. A primeira estratégia que aponto está claramente presente no livro Crónicas com Fundo de Guerra (2011). Por seu turno, a estratégia de desnacionalização do espaço narrativo surge, de forma encoberta, no romance A Sul. O Sombreiro (2011), em que o autor, para falar dos costumes e práticas do povo Jaga, escolhe como fonte não a História Geral das Guerras Angolanas, de António de Oliveira de Cadornega, mas uma duvidosa fonte inglesa: The Strange Adventures of Andrew Battell of Leigh in Angola and the Adjoining Regions.

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