Abstract

Em um dos capítulos iniciais de Dom Casmurro, o narrador do romance, Bento Santiago, discute a impossibilidade de recuperar sua infância através da reconstituição de sua antiga casa de Matacavalos em seu novo endereço no Engenho Novo. Esse trecho pode ser lido como uma retomada por Machado de Assis do antigo tema sentimental do retrato insatisfatório que não consegue reproduzir a essência da pessoa retratada. Este ensaio examina como esse tema é trabalhado por Machado, contrastando-o com outras imagens sentimentais do retrato que se baseiam na ideia de uma espécie de representação que se apaga como tal para expressar de forma transparente os sentimentos da pessoa retratada. Essa ideia de uma representação transparente se faz presente num trecho de Senhora, de José de Alencar, em que se discute a criação de um retrato de Fernando Seixas, assim como nas ilustrações reproduzidas na revista A Estação, para a qual Machado contribuiu assiduamente nos anos anteriores à publicação de Dom Casmurro. O objetivo deste trabalho é mostrar como Machado parte das concepções sentimentais acerca do retrato para estabelecer uma nova noção do indivíduo que contrariaria as expectativas de seus leitores, muito calcadas ainda no tipo de leitura incentivada por publicações como A Estação.

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